Mário Crespo diz que José Sócrates o quer calar
O primeiro-ministro José Sócrates volta a ser acusado de exercer pressões para afastar jornalistas, depois de Mário Crespo ter visto uma crónica sua não ser publicada no Jornal de Notícias. Para o Governo, isto não passa de "calhandrice".
O Jornal de Notícias decidiu não publicar, na segunda-feira, a habitual crónica de Mário Crespo, porque o texto revelava o alegado teor de uma conversa entre o primeiro-ministro e vários membros do Governo durante um almoço.De acordo com testemunhas terão relatado a Mário Crespo, nessa conversa, José Sócrates referiu-se ao jornalista da SIC como "débil mental" e como um "problema" que tem de ter "solução".
O almoço, em dia de apresentação do Orçamento do Estado 2020, terá tido lugar num conhecido hotel de Lisboa. À mesa estariam, o primeiro-ministro, José Sócrates, o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, e Jorge Lacão, ministro dos Assuntos Parlamentares e um "executivo de televisão". O tema de conversa foi, alegadamente, Mário Crespo, jornalista e pivot do Jornal da 9 da SIC Notícias, que os presentes terão dito que precisa de "ir para o manicómio".
O jornalista decidiu relatar o almoço e o conteúdo da conversa entre José Sócrates e os membros do Governo na crónica que tem há mais de dois anos, à segunda-feira, no Jornal de Notícias. Mas o jornal optou por não publicar o texto.
Em nota publicada, segunda-feira, no site do jornal, o director José Leite Pereira justificou a decisão de não publicar a crónica de Mário Crespo com o facto de não se tratar de um artigo de opinião, mas antes "um relato de um acontecimento não confirmado e que não tinha contraditório".
Da parte do Governo, a única reacção a este tema veio do gabinete do ministro dos Assuntos Parlamentares: "O Governo não se ocupa de casos fabricados com base em calhandrices".
Já a SIC reagiu através de uma nota da sua Direcção de Informação, na qual "repudia as considerações sobre a idoneidade dos seus profissionais e rejeita todas as formas de pressão e de condicionamento, venham de onde vierem". E "manifesta total solidariedade para com o jornalista Mário Crespo - um profissional íntegro e respeitado como poucos pelos portugueses, com uma carreira que fala por si e que muito orgulha esta estação".
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