| Já foram identificados os corpos de nove das 13 vítimas atropeladas por um trem de alta velocidade nesta quarta-feira na cidade de Castelldefels, no litoral da Espanha, segundo a conselheira de Justiça Montserrat Tura, informa o jornal espanhol "El País". São cinco equatorianos, dois bolivianos e dois colombianos. Desses nove identificados, são duas mulheres e sete homens, com idades entre 17 e 39 anos. Tura alertou, no entanto, que ainda deve demorar até semanas para que as famílias recebam os restos mortais, até que todas as amostras biológicas de cada corpo sejam reunidas, diz o jornal. | |
| |
| Bombeiros da Catalunha resgatam restos dos 12 mortos atropelados por um trem na Espanha |
Dos 14 feridos, dez continuam hospitalizados e são, na maioria, jovens entre 15 e 25 anos, exceto uma mulher de 45. Três mulheres estão em estado grave.
Investigações
Segundo as primeiras investigações, um grupo de 30 pessoas cruzou a ferrovia por um lugar indevido sem perceber a chegada de um trem de alta velocidade que não tinha parada na estação e que se deslocava a uma velocidade de 140 km/h.
| Gustau Nacarino/Reuters | ||
| ||
| Polícia espanhola pericia local do acidente; testemunha disse que estação estava "abarrotada" |
A agência de notícias Europa Press, citando um funcionário anônimo da Renfe, disse que o trem se deslocava a 139 km/h na estação e que o condutor não estava alcoolizado. O veículo também afirmou que o homem entrou em choque após o acidente. A estatal ferroviária se negou a confirmar as afirmações.
Testemunha
Marcelo Carmona, um boliviano que testemunhou o acidente ferroviário disse que a passagem de saída da estação da localidade de Castelldefels estava "abarrotada", o que fez com que muitas pessoas fossem para a via férrea.
Segundo outras testemunhas, as pessoas atropeladas cruzavam as vias por um lugar indevido após terem chegado à estação em outro trem.
A única maneira de atravessar a estação em direção à praia onde acontecia o festival era uma "estreita passagem subterrânea", pois a passarela da estação -- uma passagem elevada -- estava fechada.
O dia de São João, em 24 de junho, é feriado em várias partes da Espanha e as comemorações começam tradicionalmente na noite anterior.
O acidente foi o pior do setor ferroviário da Espanha desde 2003, quando 19 pessoas morreram na colisão de dois trens perto da cidade de Chinchilla.
Passageira foi multada
A polícia local informou que na sexta-feira (25) uma passageira foi multada ao tentar cruzar os trilhos na estação de Castelldefels, apenas 48h depois do acidente que matou ao menos 13 pessoas no mesmo local.
Após ser repreendida pelos vigilantes, a mulher negou a se identificar, o que levou os oficiais a chamarem a polícia.
Ao falar com os policiais, a mulher, de origem russa, pediu desculpas dizendo que não sabia o que tinha acontecido na estação, mas mesmo assim não escapou de pagar uma multa. O valor não foi informado.
A lei espanhola do setor ferroviário tem multas que oscilam entre 6.000 e 30 mil euros para passageiros que cruzem os trilhos de uma estação, informou um porta-voz da Adif.
Culpa
Mais cedo, o governo espanhol afirmou que os passageiros nunca deveriam ter cruzado os trilhos e que a culpa pelas mortes são das próprias vítimas.
A ministra de Justiça do governo regional da Catalunha, Montserrat Tura, disse ainda que cinco vítimas eram do Equador, duas eram da Bolívia e duas da Colômbia.
O ministro do Desenvolvimento, Jose Blanco, negou acusações de que a passagem subterrânea estivesse mal sinalizada e insistiu que os passageiros deveriam saber que "nunca, nunca, nunca, deve-se cruzar os trilhos".
"Tudo indica para negligência" dos passageiros como a principal causa do acidente, acrescentou Blanco, dizendo que espera que a tragédia faça com que as pessoas percebam a importância de se obedecer as regras das estações ferroviárias.
No entanto, testemunhas do acidente sustentam que a recém-construída passagem subterrânea não estava bem sinalizada e que a antiga passarela elevada estava fechada, deixando os passageiros confusos.
De acordo com Arrellano Ruiz, cônsul do Equador em Barcelona, disse que os passageiros não viram os sinais de que a saída para a passagem subterrânea e que as setas indicavam erroneamente para a passarela elevada, fechada desde 2009 quando a estação passou por uma reforma.
O secretário de infraestrutura da Espanha, Victor Morlan, reconheceu que a passagem elevada estava bloqueada desde o ano passado mas insistiu que havia placas suficientes indicando às pessoas como chegar à praia com segurança.
Morlan acrescentou ainda que no momento do acidente havia um anúncio por alto falantes avisando aos passageiros sobre o perigo de cruzar os trilhos.


Nenhum comentário:
Postar um comentário