Os colonos iniciaram uma dura campanha midiática, aumentado a pressão nos círculos políticos e advertindo que farão a coalizão governamental liderada pelo conservador Benjamin Netanyahu cambalear caso ele estenda a cessação parcial da construção, que termina no dia 26 de setembro.
Enquanto Netanyahu discute hoje na Casa Branca com Barack Obama o modo de avançar no processo de paz com os palestinos, uma centena de pessoas se manifestava em frente ao consulado americano em Jerusalém com cartazes que diziam "NÃO à pressão de Obama sobre Israel", "NÃO à prorrogação da moratória".
O compromisso público de Obama com o processo de paz no Oriente Médio, o aumento da pressão internacional sobre Israel e a tenacidade dos palestinos em sua negativa a sentar-se à mesa de negociações com Israel enquanto continue o crescimento dos assentamentos em seu território justificam o temor dos colonos, que exigem do Estado um sinal verde para seguir ampliando seus domínios.
"Estamos fazendo uma campanha política muito intensa, não há nenhum membro do Governo ou do Parlamento com o qual não tenhamos conversado", disse hoje à Agência Efe Dani Dayan, presidente do Conselho Yesha, que agrupa os representantes locais dos assentamentos.
Aproximadamente 300 mil colonos judeus vivem na Cisjordânia e somam-se a outros mais de 190 mil que residem em Jerusalém Oriental.
Dayan assinalou que eles sabem "iniciar e desenvolver movimentos públicos que têm muita influência sobre o sistema político e sobre a fortaleza e estabilidade do Governo" e advertiu que usarão todos os meios que tem a sua disposição "para mudar o curso dos eventos".
Na semana passada, Yesha fez uma agressiva campanha com anúncios nos principais jornais israelenses nos quais se lê em letras grandes "uma promessa é uma promessa" em cima de uma foto de Netanyahu e de sete de seus ministros, sublinhadas por entrevistas entrecortadas e datadas nas quais prometem que a moratória não será renovada.
Além disso, nas últimas semanas aumentaram a organização de visitas a deputados e ministros às colônias a fim de que vejam em primeira mão "os danos que a moratória causou", explica Dayan, que usa como exemplo os casais jovens que não podem começar a construir suas casas com as quais já tinham se endividado.
Fora a representação oficial de Yesha, organizações de base dos colonos, como Komemiut e os Conselhos de Cidadãos de Benyamín e Samaria, também iniciaram a exigir o reatamento da construção e financiaram anúncios nos meios de comunicação nos quais pedem ao Governo que "não ceda" à pressão externa.
São precisamente estes grupos de base que estão por trás da manifestação registrada hoje em pleno coração de Jerusalém Oeste.
"Isto é só o princípio, faremos mais protestos e atacaremos Netanyahu diretamente, porque nos demos conta que o problema é ele", disse à Efe Itzik Shetmi, do Conselho de Cidadãos de Benyamín e um dos organizadores do evento.
Os colonos pretendem gerar uma maré social que demande a continuação do projeto colonizador, uma pretensão que casa mal com as exigências da comunidade internacional para que israelenses e palestinos sentem para negociar e avancem rumo à paz.
Por enquanto, as conversas acontecem somente através de um mediador americano, mas as duas partes sabem que esta situação não pode continuar e que em setembro acaba o prazo que a Liga Árabe deu ao presidente palestino, Mahmoud Abbas, para dialogar indiretamente com Israel.
Todos esperam que o diálogo passe então a ser direto, mas o reatamento da construção nas colônias acabaria com essa possibilidade.
Netanyahu conseguiu manter o poder de decidir sobre a moratória, que vários deputados trataram de arrebatar esta semana com uma proposta de lei que reserva esse direito ao Parlamento.
No entanto, o poder legal não é o bastante. Para resistir ao ataque dos colonos, Netanyahu precisará também um apoio político e social firme que ainda não tem assegurado.

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