sábado, 24 de julho de 2010

Lula diz estranhar atitude de presidente da Colômbia de denunciar Venezuela

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira que estranhou a atitude do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, de denunciar a Venezuela na OEA (Organização dos Estados Americanos).
Ele disse que pretende se reunir com Uribe e com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para tratar do impasse.
Lula irá a Caracas dia 6 de agosto para reunião de trabalho com Chávez e, no dia seguinte, participará, na Colômbia, de posse do presidente eleito Juan Manoel Santos.
"O que estranhei é que faltam poucos dias para o companheiro Uribe deixar a presidência. O presidente que vai tomar posse tem dado sinais que tem disposição a um alinhamento com a Venezuela (...).Estava tudo andando bem até que Uribe resolve fazer a denúncia", disse Lula em entrevista a jornalistas, após participar de evento do governo em Caetés.
Chávez, anunciou nesta quinta-feira que rompeu relações com a Colômbia, diante das acusações de que seu país abriga 87 acampamentos com ao menos 1.500 guerrilheiros colombianos.
Há tempos Uribe acusa países da região de servirem de abrigo para chefes das guerrilhas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e Exército de Libertação Nacional (ELN).
Lula disse que Colômbia e Venezuela são dois países extremamente importantes, que dependem um do outro e que poderiam "ir para frente com muito mais facilidade se estabelecessem uma programação de construírem a paz definitivamente".
FORA EUA
O governo brasileiro busca isolar os EUA da mediação da crise, e para isso pressiona as nações sul-americanas para que tanto uma potencial investigação quanto as conversas sobre a disputa sejam realizadas no âmbito da Unasul -- grupo do qual os EUA não fazem parte -- e não da OEA.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou horas depois para Chávez, propondo a troca. Após a conversa, Chávez anunciou que pediu ao Equador (que ocupa a Presidência da Unasul) uma reunião de emergência.
O Brasil, afirma a reportagem, acha melhor convocar a Unasul após a posse do novo presidente colombiano, Juan Manuel Santos, no próximo dia 7. Apesar de ser sucessor do popular Uribe, Santos adotou um discurso de aproximação com Caracas e, diante da crise, disse que manteria o silêncio como "sua melhor contribuição'.
Para o embaixador brasileiro na Colômbia, Valdemar Carneiro Leão, a troca "cria um clima mais propício". Os embaixadores da região que servem em Caracas e Bogotá já trocam telefonemas para garantir a reunião.
Nesta quinta, Chávez disse esperar que o novo presidente colombiano não esteja envolvido na atual rixa entre os dois países.
"Espero que tome algumas medidas racionais no assunto porque acredito que já uma loucura desatada no palácio de Nariño", disse Chávez, ao entrar na sede do governo venezuelano, ao lado do técnico da seleção argentina, Diego Maradona.
Durante a campanha eleitoral colombiana, Chávez chegou a alertar que a vitória do ex-ministro de Defesa e sucessor de Uribe podia gerar uma guerra e que seria extremamente difícil restabelecer as relações bilaterais sob seu governo.
Santos, contudo, adotou um discurso de reaproximação e diálogo e chegou a minimizar as acusações de Uribe sobre os vínculos entre Chávez e as Farc. O venezuelano mudou de tom e disse que espera retomar as conversações com o país vizinho depois da posse de Santos. Ele afirmou que não irá na posse por questões de segurança.
UNASUL SÓ EM AGOSTO
O secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), o ex-presidente argentino Néstor Kirchner, anunciou que se reunirá com Hugo Chávez no dia 5 de agosto em Caracas e no dia 6 de agosto irá à Bogotá conversar com Álvaro Uribe e o presidente eleito da Colômbia, Juan Manuel Santos, que toma posse no dia 7.
De acordo com a agência estatal de notícias Télam além de buscar a mediação da crise entre os dois países o secretário-geral da Unasul permanecerá na Colômbia para a posse de Santos.
A Télam diz ainda que desde a quinta-feira Kirchner vem mantendo "permanentes comunicações telefônicas com os presidentes do Equador (Rafael Corrêa), Brasil (Luiz Inácio Lula da Silva) e outros líderes da região para coordenar ações e resolver rapidamente a grave situação que envolve os dois países".
Já esperada, a decisão de aguardar até a posse de Santos deve-se ao fato de que o presidente-eleito da Colômbia já havia se posicionado -- antes da ruptura de relações -- a favor de uma melhora na situação diplomática entre os dois países.
Kirchner deverá ainda auxiliar Corrêa -- que assumiu a presidência rotativa da Unasul -- no papel de mediar a crise. O líder equatoriano confirmou nesta sexta-feira que pretende convocar seus colegas da região para uma reunião a fim de analisar a crise diplomática entre Caracas e Bogotá.
Lula diz estranhar atitude de presidente da Colômbia de denunciar Venezuela

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